a erosão da vida
nos lança sua embarcação e vamos
até o despenhadeiro.
Passa a sombra… Passa e vê
e torna a acomodar-se.
Uma luz de farol beira a penumbra.
É a cidade: digo-me.
A sombra se adianta
não quer partilhar meus pensamentos
porém lê a esquina, os escombros
os passos solitários e o eco desses passos
muito antes que surpreendam meu corpo.
O

pássaro funerário do tempo
esvoaça no ar.
As ruínas do amor se precipitam.
Quero fechar os olhos.
Quero
que somente o vento passe
e nos leia o poema da errância,
que nos diga ao ouvido
sobre o profundo lamento que hoje irrompe
na alma do sax.
Que o vento,
somente o vento…

